A I.A. E O SISTEMA S por Marcos Vilela Fonseca

  • 08/Fev/2019

O IBGE divulgou a última taxa de desemprego do Brasil 11,7% correspondendo a 12,2 milhões de brasileiros. Os tempos de inovação disruptiva turbinadas pela (IA) inteligência Artificial via Big Data e processamento brutal de cálculos por GPU,  tornaram possível a Indústria 4.0 e muitos outros avanços como Internet das coisas, agricultura de precisão, detecção de doenças por imagens, veículos elétricos e autônomos, esse cenário preocupa muitos trabalhadores pois, não querem aumentar aqueles 11,7% dos desempregados.
 
Muita gente tem receios da revolução que está varrendo o mundo, preocupa porque profissões podem acabar, e podem mesmo, principalmente as de movimentos repetitivos que podem ser substituídas com mais eficiência pelos robôs. Na revolução 2.0 essa era a reclamação dos trabalhadores, ficar horas seguidas fazendo a mesma coisa  em linha de montagens, com consequências debilitantes na saúde, agora estamos fazendo o caminho inverso.
 
Parece contraditório mais apesar do desemprego, existem muitas vagas abertas. O problema é que tudo isso está especializando o trabalho, que agora não é tão exigente fisicamente mais de maior conhecimento intelectual, aproximadamente 35% dos desempregados estariam trabalhando se estivessem qualificados adequadamente, trazendo essa taxa para aceitáveis 7% de desempregados, embora o ideal seja abaixo de 4%, isso traria uma tremenda qualidade social retirando pressão da previdência, saúde pública (muitos empregados contam com planos de saúde empresarial) e até mesmo gerando alívio na criminalidade pela elevação da qualidade de vida por renda legal.
 
Neste contexto é preocupante assistir os ataques ao sistema S, desde o governo Dilma que queria abocanhar esse recurso para tentar cobrir o buraco de sua desastrosa gestão. Em tempos de alta necessidade de qualificação profissional o governo cortar recursos que promovem a educação é no mínimo marcar gol contra o próprio time.
 
A história dos países desenvolvidos recentemente está ligada ao investimento crescente em educação e inovação tecnológica, apostar em inovação é arriscado pois, de cada 6 ou 7 projetos apenas 1 obtém sucesso porém, este que tem sucesso gera retorno de centenas de vezes o valor investido e ainda cria uma cadeia positiva de valor e re-inovação em sua volta. Assim China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e outros  tantos foram crescendo e investindo parcelas maiores do seu PIB em qualificação e especialização, resultando ao final em melhoria na renda per capita, melhor IDH,  avanços de novos materiais, medicamentos, aeroespacial e recordes seguidos de aumentos do PIB. Por aqui ideias como estas de cortes mostram o quanto precisamos evoluir, nossos governantes ávidos pelo resultado imediato (problema cultural do brasileiro de foram geral), não criam ambiente de maturação de longo prazo e a geração de hoje colhe o resultado pífio do investimento mínimo ou nenhum feito no passado. Pior ainda, deixa um legado ainda mais desafiador para as próximas gerações.
 
No Brasil o motor da tecnologia está na iniciativa privada, campeões de produtividade rural, carnes, soja, metalurgia, cerveja, automação bancária, petróleo em águas profundas e aviação, oásis de exceções como Embrapa, Vale, Ambev, Petrobras e Embraer perdem tração pela infraestrutura deteriorada, burocracia e ou corrupção, de resto contam-se nos dedos os cases de sucesso em outras áreas como o genoma, pesquisas médicas do vírus da Zika, vacinas, um ou outro expoente em física, matemática e astronomia. O avanço tecnológico somente se torna inovação quando na prática melhora a sociedade, a pesquisa teórica que não sai do laboratório da universidade não é inovação por si só, e assim seguimos com déficits de engenheiros, profissionais de TI, baixas avaliações em olimpíadas de conhecimento e matemática e sem um nobel brasileiro porque será?
 
Como não reconhecer a importância de entidades como SEBRAE, SESC, SENAC, SENAI, SESI, SENAR, SESCOOP, SEST E SENAT. Como a população de baixa renda e os trabalhadores irão se qualificar sem essas entidades? Comenta-se que essa necessidade será coberta pelas entidades privadas. Cabe um questionamento: Se o governo resolvesse acabar com o SUS, qual seria o valor de um atendimento médico de qualidade na rede privada com toda a população batendo à sua porta?
 
Em pouco tempo o analfabeto será aquele que não entende as novas tecnologias, não será mais aquele que não lê ou escreve, este será rebaixado a categoria dos inservíveis (os que não conseguem nem mesmo se qualificar), isso deveria preocupar hoje as políticas públicas de planejamento pois, será necessário criar ou aumentar a distribuição de renda social. Irradicar o analfabetisto e investir em educação básica gratuita e de qualidade neste contexto torna-se redução de custos a longo prazo. Cabe ao governo direcionar os rumos do país, a população já mostrou discordância com as diretrizes passadas, quem sabe um governo menor, focado em educação, saúde e segurança possa finalmente nos colocar em uma rota de sucesso. Os eleitores já fizeram sua eleição disruptiva, cabe ao governo eleito corresponder para não ficar obsoleto.

Marcos Vilela Fonseca é sócio-diretor da Canion Software / diretor da Fecomercio Goiás / vice-presidente do Sindinformatica Goiás
 

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